O caso de Bombinhas evidencia um padrão observado em diversas cidades após a privatização do saneamento: contratos mal fiscalizados, promessas não cumpridas, tarifas elevadas e serviços precarizados. É a lógica do lucro.
O protesto dos moradores de Bombinhas, realizado nessa segunda (12/01), em frente à concessionária Águas de Bombinhas, controlada pela holding Aegea, expõe de forma contundente os efeitos negativos da privatização do saneamento básico no município. O avanço visível de esgoto nas praias, em plena alta temporada, não é apenas um problema pontual ou acidental, mas um sintoma de uma gestão falha que prioriza o lucro em detrimento da saúde pública, do meio ambiente e da qualidade de vida da população.
Os registros de água escura, com odor característico de esgoto, escoando diretamente para o mar — especialmente na Praia de Quatro Ilhas — escancaram a precarização dos serviços. Apesar de tentativas de justificar os episódios como resultado de “água da chuva”, os dados oficiais do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina desmentem essa narrativa. Os níveis alarmantes de coliformes fecais, chegando a mais de 24 mil por 100 ml, ultrapassam em dezenas de vezes o limite legal e tornam inegável a falha no tratamento e na gestão do esgoto. Isso significa contato direto com fezes humanas.
A consequência direta dessa má gestão é a deterioração da balneabilidade das praias, um dos principais patrimônios naturais e econômicos de Bombinhas. Trechos antes considerados próprios para banho passaram, de uma semana para outra, a figurar como impróprios, afetando moradores, turistas e todo o setor econômico dependente do turismo. Isso sem contar que a cidade cobra atualmente Taxa de Preservação Ambiental (TPA) de turistas – que varia entre R$5 (moto) e R$200 (ônibus) – e já arrecadou aproximadamente R$ 150 milhões entre 2015 e 2025.
Os relatos de problemas de saúde, como casos de vômito e diarreia após banho de mar, reforçam que o problema vai além da esfera ambiental: trata-se de uma questão de saúde pública.
E, como já esperado, a tal privatização – realizada em 2016 – não vem trazendo a prometida eficiência. Pelo contrário, moradores também reclamam do aumento nas tarifas de água e esgoto. A empresa Águas de Bombinhas cobra dos moradores exorbitantes R$ 115,11 (água) + 115,11 (esgoto) pela tarifa inicial residencial (0-10m ³), enquanto a Casan cobra pela mesma modalidade o valor de R$ 43,80 fixos + R$ 2,91/m³ (água) e R$ 43,80 fixos + R$ 2,91/m³ (esgoto). Além das altas tarifas, o município também enfrenta o descumprimento dos cronogramas de saneamento estabelecidos, não avançando em saneamento. Ou seja, a população paga mais caro por um serviço que não atende aos padrões mínimos de qualidade, ao mesmo tempo em que convive com riscos ambientais e sanitários cada vez maiores.
Esse é mais um alerta de que a privatização, pode resultar exatamente no oposto do que promete: degradação ambiental, prejuízos econômicos, riscos à saúde e perda de qualidade de vida. Bombinhas, hoje, se torna um exemplo concreto de como o saneamento não deve ser tratado. Saneamento não é negócio é política pública essencial!
Água é vida, privatizá-la é crime!
Confira AQUI o vídeo do protesto publicado no Intagram @oquefazerembombinhasoficial










