Ainda há famílias sem energia elétrica na cidade de São Paulo e na Região Metropolitana, cinco dias depois do vendaval e do ciclone extratropical que atingiram o estado. Milhares seguem no escuro, com alimentos estragados, remédios perdidos, sem água, sem comunicação e sem respostas. Para milhões de pessoas, o apagão não foi apenas um transtorno: foi a interrupção da vida cotidiana.
Esse cenário escancara uma contradição que o povo brasileiro conhece bem. A privatização dos serviços essenciais sempre vem acompanhada da mesma promessa: “vai melhorar”: Mais investimentos, mais eficiência, menos problemas.
No entanto, a realidade mostra o oposto. Desde que a distribuição de energia em São Paulo passou às mãos da Enel, os apagões se tornaram mais frequentes e mais longos. Em 2023, milhões ficaram dias sem luz. Em 2025, a história se repete. Mudam as justificativas, mas o problema permanece: falta de manutenção, tarifas alta, terceirizações e prioridade absoluta ao lucro.
O modelo privatizado funciona assim: enquanto tudo parece normal, os lucros fluem para os acionistas. Quando a crise chega, quem paga a conta é a população. Multas se acumulam, e o serviço segue precário. A energia, que deveria ser um direito garantido, vira um problema para quem depende dela.
No saneamento, o alerta é o mesmo. Privatizações vendidas como solução milagrosa resultaram em tarifas mais caras, piora no atendimento e exclusão das áreas mais pobres. Não por acaso, cidades no Brasil já tentam reverter concessões fracassadas. E no mundo, a lição é ainda mais clara: centenas de municípios, em países como França, Alemanha e Argentina, reestatizaram serviços de água e esgoto após experiências desastrosas com empresas privadas.
A pergunta que precisa ser feita é simples e direta: se privatizar fosse sinônimo de melhorar, por que tantas cidades estão voltando atrás? Por que, em pleno século XXI, milhões ficam no escuro e sem água em regiões ricas do país?
A resposta também é simples. Serviços essenciais não combinam com a lógica do lucro. Energia e água não são mercadorias e sim direitos. E toda vez que esses direitos são entregues ao mercado, quem perde é a população.










