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Nordeste - cai reserva de açudes para 46% do total hídrico
Postado em 06/03/2008 às 16:20:40
Interação:
Fortaleza. Os recursos hídricos nos açudes monitorados pela Cogerh no Estado atingem o menor volume dos três últimos anos. Os 127 reservatórios estão armazenando apenas 46,5% da capacidade total. Neste mesmo período, em 2006, o nível chegou a 70%, ficando em 60% no ano passado. A redução decorre da falta de chuvas torrencias, capazes de possibilitar a recarga nos reservatórios. Mesmo assim, o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Francisco José Coelho Teixeira, informa que não é momento para preocupação, porque o período em que se espera mais chuvas é a partir deste mês até maio. “Com isso, pode ser que a situação das reservas de água seja modificada”, acredita ele.
“Esse índice de 46,5% não é alarmante. Mas é uma situação regular e com preocupações em pontos isolados no Interior do Estado”, diz. Esses pontos isolados, segundo ele, são os açudes que se encontram com o limite mínimo operacional, ou seja, apresentam o chamado volume morto (impróprio para qualquer tipo de consumo).
Os dados disponibilizados pela Cogerh indicam que oito açudes estão com volume inferior a 10%. Os mais críticos são os açudes Farias de Sousa, em Nova Russas; e o Quincoé, em Acopiara, com um volume de 7,1% e 7,7%, respectivamente. “Os dois açudes estão em situação crítica. Se não houver uma recarga de água a vida dos agricultores ficará ruim, porque não dá para viver só com o abastecimento dos poços. O mês de fevereiro também não foi bom, porque foi um mês irregular de chuvas”, considera.
A queda do nível de água no Açude Farias de Sousa foi abordada em matéria publicada pelo Diário do Nordeste, edição de 23 de janeiro, quando foi mostrado que, além do volume, os moradores reclamavam da qualidade da água, que tinha coloração esverdeada.
“Nas demais sedes municipais você dá para conviver normalmente. Talvez a proposta seja um racionamento menos drástico”, afirma Teixeira.
Quando comparado com os anos anteriores, o volume de água armanezada é definida por Teixeira como uma “cadeia de montanhas”, por apresentar variações constantes. “Têm momentos que temos as temporadas de chuvas intensas, como foi registrada em 2004, com quase 100% da reserva cheia de água. E hoje estamos na temporada descendente. Se analisarmos um histórico dos últimos 20 anos no conjunto de reservatório, ficamos em média de 30% a 40%”, diz.
Atualmente, com o índice de apenas 46,5%, Teixeira disse esperar um aumento de, pelo menos, 50% nos reservatórios do Estado. “Caso aconteça o contrário, não tenha chuva suficiente para encher os açudes, pode-se pensar na hipótese de racionamento de água para os produtores rurais”, afirma o presidente da Cogerh, direcionando o problema para a situação do Açude Banabuiú, localizado no município do mesmo nome, no Sertão Central.
“É o que vai ocorrer se o Banabuiú não tiver uma recarga. Vamos disponibilizá-lo apenas para o uso agrícola. Se o açude não tiver qualquer recarga, vamos decidir quanto de água vai ser liberada para Morada Nova. E se os agricultores não foram eficientes, teremos que reduzir a área plantada. Teremos que liberar a água de forma controlada”, explica Teixeira. Além disso, pode prejudicar ainda mais a situação dos agricultores, que demandarão mais carros-pipas no Interior do Estado, diferente da região do Cariri, onde a maior parte dos açudes tiveram aumento na recarga de água.
Vulnerabilidade
Francisco Teixeira complementa que a causa para a redução hídrica nos açudes não se limita apenas à falta de chuva, mas à maior demanda dos moradores na zona rural. “Mesmo com recargas irregulares tínhamos como garantir o abastecimento. Expandem-se as redes de ligações. Para cada 10 anos, um tinha problema de recarga. É uma questão de vulnerabilidade do nosso clima”, explica Teixeira.
MAURÍCIO VIEIRA
Repórter
PLUVIOMETRIA
Funceme considera bom nível de chuvas
Fortaleza. Os reservatórios do Estado podem ter um acréscimo, a partir deste mês, no volume de água armazenada. Pelo menos é o que indica a previsão apontada pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) para a estação chuvosa deste. Com base na análise do órgão feita em janeiro último, o meteorologista Paulo Barbieri, afirma que as chuvas devem ficar 40% acima da média de cada região do Estado. “A previsão continua a mesma para o período chuvoso, mas pode variar porque existem regiões onde se chove mais e outras menos”, diz.
As regiões apontadas por Barbieri têm como médias pluviométricas as seguintes: Litoral Norte, com uma média de 864,8mm; Litoral do Pecém, 751,1mm; Fortaleza, 903,1mm; Maciço de Baturité, 854mm; Serra da Ibiapaba, 850,5mm; Região Jaguaribana, 662,3mm; Cariri, 645,7mm; e Sertão Central, com uma média de 547,4mm. Barbieri considera que a quantidade de chuvas registradas no Estado até agora é boa, confirmando a expectativa da Funceme para este período.
Segundo o meteorologista, os estudos de previsão são realizados com base em modelos numéricos compatíveis às especificidades da região Nordeste, mas também se baseiam em modelos adotados em São Paulo, Brasília e Estados Unidos. “Nos reunimos para discutir os resultados dos modelos e saber se os mesmos estão apontando mais chuvas. Daí, verifica-se a probabilidade de precipitações no Estado”, explica o meteorologista da Funceme.
Além das previsões para o Ceará, Barbieri aponta Maranhão e Piauí como os Estados que são melhores beneficiados com as chuvas, seguidos do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Nestes últimos três Estados, o período de chuvas começa a partir de abril e maio. “Como se consolidará a estação chuvosa no Nordeste ainda não sabemos. A previsão é que fique acima da média”, afirma ele.
Chuvas intensas
Em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, a chuva registrada na madrugada de ontem, foi de apenas 33mm. No entanto, por mais que tenha sido um volume razoavelmente baixo, a precipitação foi bastante intensa. Os vendavais são comuns na região neste período do ano causados pela formação de nuvens e das condições do clima atmosférico quente e seco. A preocupação quanto as chuvas intensas acompanhadas de fortes ventos é constante entre os agricultores, que temem perder a lavoura. Na semana passada, o Diário do Nordeste publicou reportagem sobre os estragos causados ao município em decorrência da chuva intensa na região. Foram derrubados 100 hectares de bananas e parte de telhados foram arrancados.
SAIBA MAIS
Reserva
O Estado do Ceará possui 127 açudes distribuídos pelas 11 bacias hidrográficas, monitoradas pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
Limite
Do total de açudes, apenas oito encontram-se no limite mínimo operacional. São eles: Açude Capitão Mor, em Pedra Branca; Farias de Sousa, em Nova Russas; Faé, em Quixelô; Forquilha II, em Tauá; Potiretama, em Potiretama; Quincoé, em Acopiara; Santa Maria de Aracati, em Sobral; e Souza, em Canindé.
Sangria
Apenas dois açudes encontram-se em sangramento. O Gomes, em Mauriti, com capacidade total de volume armazenado e Colina, em Quiterinópolis, que apresenta cota de sangria.
Chuvas no Ceará
Cidade mm
Jaguaribe 69.0
Itapipoca 68.2
Iracema 67.0
Ipaumirim 64.0
Alto Santo 58.0
Limoeiro do Norte 58.0
Beberibe 57.0
Ererê 55.0
Baixio 54.0
Milagres 53.0
Potiretama 51.0
Cascavel 48.0
Aracati 45.2
Fortaleza 45.0
Quixeramobim 45.0
Araripe 43.4
Tabuleiro do Norte 42.0
Potiretama 42.0
Paramoti 41.4
Crato 41.0
Juazeiro do Norte 41.0
Caucaia 40.0
Pindoretama 40.0
Pereiro 40.0
Pentecoste 37.0
Limoeiro do Norte 36.3
Russas 36.2
Ocara 36.0
Umari 36.0
Morada Nova 35.0
Caucaia 34.0
Santa Quitéria 34.0
Caridade 34.0
Crateús 34.0
Novo Oriente 33.0
Itapipoca 31.0
Itapiúna 30.0
Viçosa do Ceará 30.0
Banabuiú 30.0
Coreaú 29.0
Guaiúba 27.0
Aquiraz 25.0
Forquilha 25.0
Chorozinho 25.0
Maranguape 22.0
Mulungu 20.0
Baturité 20.0
Fortim 19.2
Jaguaribe 19.0
Quixeré 18.2
Aratuba 17.0
Barreira 17.0
Jaguaribara 16.3
Pacajus 15.0
Itaitinga 15.0
Jaguaretama 14.9
Jaguaruana 14.0
Palmácia 14.0
Alto Santo 13.2
Capistrano 12.0
Itaiçaba 11.0
Maracanaú 10.0
Pacatuba 9.5
Horizonte 8.8
Pacoti 8.5
Redenção 8.0
Pacujá 7.1
Poranga 6.0
São Benedito 5.8
Ipu 5.2
Mais informações:
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh)
Rua Adualdo Batista , 1.550
Fortaleza, (85) 3218.7020
www.cogerh.com.br
FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=517526
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