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Mais de 700 casos de cólera e 50 mortes confirmadas

Postado em 31/01/2008 às 11:13:35

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O número de casos de cólera registados em Angola nas últimas semanas já ultrapassou as sete centenas com mais de 50 mortos confirmados, disse hoje à Agência Lusa o ministro da Saúde, Ruben Sicato.

As situações mais críticas registam-se em Luanda e nas províncias do sul de Angola, Huila, Cunene, Benguela e Kwanza-Sul.

Apesar do elevado número de vítimas do vibrião colérico, agente causador da doença, que se manifesta por intensas diarreias e vómitos dos doentes, a situação está longe da gravidade da epidemia que atingiu o país em 2006/2007.

Entre Fevereiro de 2006 e Março de 2007, Angola registou mais de 77 mil casos e cerca de três mil mortes, segundo dados oficiais.

O ministro da Saúde angolano explicou à Lusa que já se esperava um aumento dos casos de cólera em Angola com a chegada da época das chuvas, que vai de Novembro a Abril.

«Mas não estava à espera de um número tão elevado agora, depois do que se passou há um ano atrás», apontou Sicato.

Em Setembro, o ministro tinha alertado para a possibilidade do aumento do número de contaminações, tendo, na altura, recebido "algumas críticas", mas o próprio lamenta que tenha sido fácil ter razão, devido às más condições sanitárias do país, nomeadamente no que respeita saneamento básico e à má qualidade da água consumida pelas populações.

«Infelizmente confirmou-se. E isso quer dizer que temos de resolver primeiro o problema do saneamento do meio, temos de dar água de boa qualidade às pessoas, para que este problema da cólera possa ser controlado com maior eficácia em Angola, onde a doença é endémica», disse.

A inadequada formação de alguns técnicos de saúde é igualmente sublinhada por Ruben Sicato como um dos motivos para o aumento dos casos mortais de cólera, pelo que preconiza uma aposta na formação contínua dos profissionais da saúde em Angola.

«É que o combate pela via da profilaxia passa pela melhoria das condições do meio, mas depois, o tratamento efectivo dos doentes é essencialmente a sua hidratação. E isso muitas vezes falha, porque o reconhecimento da cólera é tardio por parte dos técnicos de saúde», sublinhou o ministro.

Outra das falhas, segundo Sicato, é o método de actuação quando é detectado um caso, «como, por exemplo, a criação de um cordão de segurança que nem sempre é feito».

Contactada a Organização Mundial de Saúde (OMS) em Luanda, o seu porta-voz, José Caetano, em concordância com Ruben Sicato, apontou igualmente o frágil saneamento básico do país e a má qualidade da água consumida pelas populações como factores primeiros para o elevado número de casos de cólera em Angola.

No entanto, o cenário de repetição de uma epidemia não existe actualmente em Angola.

A fraca pluviosidade no país, nomeadamente no sul e na província de Luanda, onde não chove há mais de um mês com intensidade, mesmo que moderada, apesar de se estar em plena época das chuvas, está a contribuir para a contenção da cólera, bem como as equipas que as autoridades colocaram no terreno.

Nos meios de comunicação social está em curso uma campanha de sensibilização da população, com destaque para o aconselhamento quanto à forma de actuar perante suspeitas de infecção e ainda como tratar a água de consumo e das fezes onde não existe rede de saneamento.

FONTE: www.destak.pt/artigos.php?art=7570

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