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A VISÃO DOS TRABALHADORES SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DA CASAN E EMPRESAS EM GERAL

Postado em 04/05/2010 às 11:12:04

Interação:

No sistema capitalista a produção é coletiva, mas a apropriação dos lucros é privada. Injusto e desigual é o sistema capitalista e suas leis. Traduzindo, na Casan por exemplo, pelo balanço do exercício de 2009, a lei permite que cerca de R$ 1, 65 milhão (um milhão e seiscentos e cinquenta mil) seja distribuído entre 2100 (dois mil e cem) empregados. Já idêntico valor pode ser distribuído entre 18 administradores (Diretores e Conselheiros) da Companhia. Esta regra vale para todas as empresas do Brasil.

Pela legislação vigente, quando uma Sociedade Anônima (empresa) obtém lucro, a grande maioria deste valor de forma geral é assim distribuída: aos seus acionistas, para pagamento aos administradores, uma espécie de gratificação pelos resultados alcançados e outra parcela para investimentos. Já uma pequena parcela pode ser destinada ao conjunto de empregados. Como vimos é completamente desigual e injusto.

Empresas como Celesc, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, empresas de transporte coletivo, etc, procedem com base na legislação vigente e nesta lógica.
Mesmo assim, onde os trabalhadores não estão organizados em Sindicatos fortes os patrões negam-se a distribuir esta pequeníssima parcela.

A distribuição de lucros

Em sua história mais recente, somente a partir de 2007 a Casan começou a apresentar resultados positivos e por consequência distribuir uma pequena parcela dos lucros aos trabalhadores.

Evidentemente que não resolveremos os problemas de saneamento básico em nosso Estado com a parcela de lucros distribuídos aos empregados e seus administradores, assim como de outros setores.

Entretanto nosso posicionamento expressado na reunião do Conselho de Administração realizada no dia 24/03/2010, pelo Representante dos Empregados no Conselho, companheiro Jucélio Paladini, foi pela distribuição de apenas 5% (cinco) por cento, conforme prevê o Acordo Coletivo com os Sindicatos, de forma igualitária entre empregados e administradores. Já no tocante aos outros 5% (cinco) por cento, que segundo a legislação e estatuto da Companhia podem ser distribuídos, deveriam ser aplicados em ações de saneamento. Infelizmente nossa posição foi voto vencido. A mesma proposta foi apresentada durante a assembleia dos acionistas realizada dia 29/04/2010.

Como a assembleia não deliberou sobre esta matéria, esperamos que na próxima o Governo do Estado e a Diretoria da Casan tenham o bom senso de acatar nossa proposição.

Os investimentos no setor

Sempre afirmamos que o principal problema das empresas de saneamento no Brasil, diferentemente do que diziam os privatistas de plantão, era a falta de financiamento para o setor, especialmente durante os governos Collor e FHC.

A partir de 2004/2005 com os recursos do PAC o setor começa a dar respostas positivas.

A Casan também, alicerçada nos financiamentos do Governo Federal, da Agência Japonesa JICA e diversos outros em vias de se concretizarem, em Florianópolis, por exemplo, até 2013/2014 alcançará entre 85% a 90% da população com coleta e tratamento de esgotos sanitários.

Há de se considerar que em menos de 10 anos conseguir estes resultados é um desempenho invejável para o mundo capitalista. Evidentemente que este é o resultado de um esforço coletivo.

Como pode alguém dizer que a Casan está na berlinda se somente na cidade de Florianópolis, em apenas 8 anos investirá cerca de R$ 400 milhões em coleta e tratamento de esgotos?

Diretores para que?

Sempre defendemos na Casan, assim como em outras empresas públicas, que seus dirigentes fossem escolhidos através de critérios técnicos e que estes tenham reais compromissos com a coisa pública, visando o atendimento à população e não buscar transformar as empresas em cabide de políticos, de curral eleitoral ou ainda para benefício próprio e de interesses privados.

Repudiamos o excessivo número de diretores na Casan. Defendemos o máximo de 5 dirigentes. É inadmissível que pessoas que não servem para dirigir outras empresas sejam alojadas na Casan.

Historicamente sempre protestamos veementemente contra a indicação de pessoas desprovidas da condição técnica e compromissos políticos com a sociedade.

A Casan e as empresas públicas necessitam ser fortalecidas, afim de que possam atender as demandas da nossa população.

DIREÇÃO DO SINTAEMA-SC

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