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"Desmatamento não é culpa de produtores", afirma o presidente Lula
Postado em 31/01/2008 às 10:00:07
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que tenha pedido à Polícia Federal que fizesse uma checagem nos dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) em relação ao desmatamento na Amazônia. Ele afirmou que determinou aos ministros do Meio Ambiente, Marina e da Agricultura, Reinhold Stephanes, que visitem os estados e municípios onde os índices estão acima da média. "Estou convocando governadores e prefeitos da região para que a gente possa, em conjunto, entender que diminuir o desmatamento, é bom para o Brasil. Não apenas do ponto de vista do meio ambiente, mas sobretudo para que produtos brasileiros continuem tendo grande inserção internacional" , disse ele, após deixar a inauguração da agência central dos correios na região central da capital paulista. Segundo Lula, Stephanes tem dito repetida vezes que a criação de gado não são as principais causas do desmatamento, ao contrário de Marina silva. Disse também que tem conversado com coordenadores do Inpe e que não há motivo para pânico. Durante o evento, ele ainda comemorou a redução nos índice de criminalidade e disse que o resultado é reflexo do bom momento da economia brasileira, que, segundo ele, passa sem grandes prejuízos pela crise dos Estados Unidos.
Também estavam presentes ao encontro o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM) e do governador do estado, José Serra (PSDB), além dos ministros da Previdência, Luiz Marinho, do Desenvolvimento, Miguel Jorge e das Telecomunicações, Helio Costa.
Em defesa dos produtores
Ainda em Brasília, Lula já tinha saído em defesa dos produtos de soja e gado. Uma semana depois de autorizar o anúncio de medidas emergenciais para conter o avanço do desmatamento na região amazônica, ele criticou o "alarde" feito pelo ministério do meio ambiente na divulgação dos dados coletados pelo Inpe.
Em almoço oferecido ao presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, Lula afirmou que não se pode culpar o avanço da fronteira agrícola pelo desmatamento. De acordo com interlocutores, o presidente disse que os números do Inpe ainda estão "sob investigação" e que precisa de dados mais exatos para determinar as causas do recrudescimento na derrubada de árvores.
As afirmações do presidente favorecem o ministro da Agricultura, o peemedebista Reinhold Stephanes, que divergiu publicamente de Marina Silva durante o anúncio de ações de emergência para conter o desmatamento. Enquanto Marina citava o plantio de soja e a criação de gado entre os fatores que poderiam ter contribuído para o avanço da devastação ambiental na região amazônica, Stephanes saía em defesa do agronegócio, ao afirmar que o aumento da produtividade nos dois setores não depende da expansão da área de plantio e que as regras de preservação ambiental eram cumpridas nos dois casos.
Beneficiam também o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). Empresário do agronegócio e aliado político de Lula, Maggi questionou os dados coletados pelo Inpe, sobretudo no Mato Grosso, um dos Estados com os maiores índices de desmatamento do país. Ao anunciar ações de combate à derrubada ilegal de árvores, na semana passada, Marina chegou a criticar o governo de Mato Grosso e de Rondônia.
Segundo ela, que incluiu o período pré-eleitoral entre os fatores que contribuiriam para o avanço do desmatamento, ações do ministério nos dois Estados enfrentaram dificuldades políticas com autoridades locais. A afirmação criou um constrangimento dentro do governo e o presidente teve que interceder entre os dois ministros para contornar a divergência interna ao governo. Ontem, em tom mais moderado, a ministra admitiu que os números do Inpe seriam "indícios" da ocorrência de desmatamento.
As críticas do presidente se estenderam a organizações não-governamentais. Lula disse que vai comprar briga com as Ongs se elas continuarem atribuíndo o crescimento do desmatamento ao avanço do agronegócio. Lula, entretanto, se esquivou de fazer críticas diretas a Marina Silva sobre o episódio. "A Marina não precisa disso", teria dito o presidente, quando questionado se a ministra teria exagerado na divulgação dos números.
Pego de surpresa com o avanço do desmatamento em uma época em que o corte de árvores é normalmente mais contido, o governo anunciou, na semana passada, um pacote de medidas incluindo o envio de uma força-tarefa da Polícia Federal para os Estados da Amazônia Legal e a proibição de qualquer corte de árvore em 36 municípios, além da aplicação de sanções a produtores encontrados descumprindo normas de preservação ambiental. As ações foram anunciadas depois da divulgação do Inpe sobre a expansão do desmatamento nos últimos cinco meses, que pode ter alcançado algo em torno de sete mil quilômetros quadrados.
FONTE: Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7 - Fernando Taquari Ribeiro e Karla Correia
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