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TAMANHO DO TEXTO

A retomada da indústria e do nível dos investimentos no Brasil

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*José Álvaro de Lima Cardoso

Um fato importante do atual momento conjuntural é que o crescimento da atividade econômica vem se baseando na vigorosa retomada da indústria, conforme ficou evidenciado pelos dados do Produto Interno Bruto (PIB), relativos ao primeiro trimestre de 2010. O PIB a preços de mercado cresceu 2,7% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2009, sendo que a Indústria cresceu 4,2%, o melhor desempenho entre todos os setores. O destaque dos dados do PIB foi o crescimento de 17,2% no chamado valor adicionado da Indústria de Transformação, que foi alavancado pelo aumento da produção de máquinas e equipamentos; eletrodomésticos; indústria automotiva, incluindo peças e acessórios; metalurgia/siderurgia; indústria têxtil; produtos químicos e artigos de borracha e plástico. Já a partir de março deste ano os níveis de produção da indústria retornaram aos patamares de antes da crise. Claro que a base de comparação de 2009, muito baixa em função da crise, influenciou a magnitude do resultado do PIB do primeiro trimestre. Mas o crescimento já está disseminado pelos vários segmentos da indústria e tem sido puxado pela expansão do emprego e da renda, em um contexto de forte expansão do crédito. A indústria como um todo deverá crescer acima do crescimento do PIB neste ano, podendo chegar a 10%.

A recuperação da indústria é fruto também da retomada dos investimentos no setor privado, em Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - a taxa de investimentos da economia em máquinas, equipamentos e material de construção - que deverão expandir de 18% a 20% neste ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2009, a FBCF, apresentou o maior crescimento (26,0%) da série iniciada em 1995, puxada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos. Contribuiu para esse crescimento excepcional da FBCF a expansão da Construção Civil, que chegou a 14,9%, no período em questão. O processo atual de crescimento do Brasil, portanto, vem se baseando na forte retomada da indústria e dos investimentos, que haviam sido congelados no último trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, em função da crise mundial.

Na recuperação da taxa de investimentos, além da retomada do investimento privado, o setor público tem peso importante. O montante de recursos envolvidos com o projeto de investimentos do governo brasileiro só fica abaixo no mundo do empreendido pelo governo chinês. Estes investimentos, além de fundamentais para evitar gargalos para o crescimento, exigem aportes financeiros muito elevados e têm maturação bastante longa, o que significa total dependência do setor público, já que o setor privado neles não entra, pelo menos sozinho. Este é o caso das linhas ferroviárias, hidrelétricas e de outros segmentos. Além disso, o Estado tem sido fundamental no aporte de recursos para o investimento no setor privado, através dos bancos federais, principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que expandiram rapidamente a oferta de crédito.

Um capítulo a parte em termos de investimentos públicos é a exploração das jazidas de petróleo do pré-sal, que, ao que tudo indica, irá mudar a fisionomia do país nos próximos anos. Além da segurança energética que a exploração do pré-sal irá proporcionar ao Brasil, ela deverá ser fator de atração de volumes gigantescos de investimentos internacionais, e de divisas geradas pelas exportações de derivados de petróleo. A exploração do pré-sal deverá, além disso, fomentar a expansão do parque industrial, gerando empregos e renda, além de investimentos em pesquisas.

*Economista e supervisor técnico do DIEESE em Santa Catarina.

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